domingo, 29 de maio de 2016

Sobre o tempo que ganhamos e perdemos

Sobre o tempo que ganhamos e perdemos
Em alguns dias me vejo reflexivos sobre o verdadeiro sentido da vida, lógico que tenho minhas crenças fundamentadas no meu modo de pensar, porém nessa época onde parece que o dia já não tem mais 24 h, pois Tudo é tão efêmero que terminamos com a sensação de não ter feito nada, apesar de depois de uma análise mais profunda percebermos que fizemos muito. E ficamos nos perguntando: O que tem acontecido com o tempo? O que temos feito dele? Ou o que ele tem feito de nós? 
Verdade é, que vivemos cada dia mais insanos, presos a uma loucura com a qual não podemos lidar, e muito das vezes deixamos de viver e mergulhamos no mundo capitalista, as pessoas pouco vivem se esquecendo de aproveitar a vida e os momentos que ela nos proporciona.
Como consequência, convivemos com um mundo em que cada dia surgem mais doenças e nos vemos envolvidos por elas, sejam físicas ou psicológicas. O resultado é que grande parte da população recorre aos medicamentos controlados, muitos já não conseguem dormir sem essa ajuda, mas será que realmente é necessário?? Se mudássemos um pouco que fosse nosso estilo de vida, não conseguiríamos viver melhor?? Não ficaríamos livres de muitas destas doenças?? 

Hoje perdi uma pessoa muito querida, ainda muito jovem que  acredito que soube viver muito bem, mas o destino lhe pregou uma peça, lhe trouxe um câncer (nos últimos dias perdi muitos amigos com esta doença).
Ela enfrentou tudo com muita determinação e coragem, soube vencer a primeira etapa sempre com o sorriso no rosto, transparecendo muita coragem e firmeza, e aproveitando a vida como ninguém, soube juntamente com sua família superar vários obstáculos, após uma trégua que a vida lhe proporcionou continuou vivendo e fazendo aquilo que sabia fazer muito: distribuir alegria e leveza.
Hoje sinto um vazio no peito, uma saudade grande, pois a poucos dias tive o prazer de recebê-la em minha casa e conviver um pouco com ela, agora acredito que poderia ter vivido ainda mais.
Nessa segunda e derradeira fase, não sei muito como ela se comportou, pois não tive como acompanhar de perto, somente com notícias por mensagens ou telefonemas para seu esposo, não tive a oportunidade de saber como ela lutou, mas tenho certeza que lutou incessantemente. Após a nova cirurgia, para retirar outro tumor abdominal, as coisas se complicaram o que levou por alguns dias na UTI até sua fase final.
Programei para lhe fazer uma visitar, mas graças a tal correria cotidiana o tempo passou e, na manhã de hoje quando ao despertar li a mensagem me avisando que ela tinha partido, aumentou ainda mais meu vazio, pois não consegui lhe dar meu último abraço, ou melhor, receber o último abraço desta pessoa que teve a oportunidade de ensinar muitas pessoas a viver e como conviver com a doença. Ela demonstrou que apesar da gravidade da doença deve-se sempre continuar vivendo e lutando com nossa autoestima.
Tenho sim, outras pessoas, a minha volta, que também sabem lutar muito bem com suas doenças e conseguir buscar forças para continuar vivendo e muito mais que viver, continuar sorrindo. Mas, a luta e a forma como essa minha amiga lutou me ensinou muito. Ela sempre será muito especial para mim!
Há alguns dias, perdi outro grande amigo, para essa doença, o tal Câncer, que tem levado tantas pessoas. Um sujeito simples que sabia levar a vida com certa leveza. Médico, do campo, lutador, construiu seu patrimônio e sua família com retidão, me ensinou muito apesar do pouco tempo em que tive a honra de conviver com ele. Lutou também com muita garra e leveza até o último momento, as vezes eu me perguntava se ele realmente sabia a gravidade de sua doença ou simplesmente queria aproveitar os últimos dias que Deus o permitia. Por um momento, afastou-se de todos procurando viver intensamente com sua família em especial.
Gostaria de ter lhe feito algumas perguntas, saber se realmente sabia da gravidade, mas me calei, coisa que faço pouco, não queria que ele perdesse a magia do desconhecido, se é que era realmente desconhecido para ele. Apesar de toda dor, angústia e medo que acredito que teve, ele viveu, curtiu, aproveitou em especial seus familiares, teve a oportunidade de ver o amor incondicional que lhe foi devotado por seus familiares.
Tive a oportunidade de estar ao seu lado até o último suspiro, acompanhei de perto sua despedida deste mundo, momento triste em certa parte, mas senti a sensação que estava indo em paz, feliz em perceber delicadeza na sua partida, que deixou tristeza a seus familiares e amigos, a despedida sempre é triste, mas estou certo que fiz minha parte, lhe dei minha mão e minha amizade e tenho fé que ele está bem.
Em contrapartida, a esses dois exemplos, vejo algumas pessoas que fortalecem a doença e, por isso, não conseguem superá-las, a cada dia vão se afundando e ficando amargas, infelizes, tristes, como se a vida não tiver o seu sentido. O que estão fazendo elas com suas vidas?
E o que estamos fazendo nós? Vejo que nos esquecemos de pequenos detalhes, deixamos o trabalho falar mais alto e quando nos demos contas muitas coisas já passaram e a vida também, as vezes até tentamos mudar um pouco, mas já estamos engrenados em tantas coisas que fica difícil mudar o rumo.
A vida vai passando e enquanto isso cada coisa que construímos no levar a outras coisas e vamos vivendo acreditando que é melhor assim, mas será que realmente é? Será que a vida não é muito mais simples do que imaginamos ou queremos?
Muitas vezes paro observando algumas pessoas que levam a vida, dando valor para pequenas coisas, dando um sentido diferente a cada relação estabelecida com o outro e com o mundo. Estou certo que são pessoas que também tem problemas, mas por darem um valor diferente a tudo parecem encará-los de maneira mais sábia e tranquila. Elas vivem o presente enquanto a maioria de nós se esquece disso para viver pensando no futuro.
Momentos de reflexão como esse, que me permito compartilhar com essa tela e naturalmente com os que por aqui passarem, são importantes, pois nos fazem mudar um pouco o rumo de nossas vidas, e nos oportunizam aprender com os exemplos a nossa volta, que a vida passa rápido.
Mas será que teremos coragem para mudar o rumo de nossas vidas??

Autor: Evan Pereira Barreto




Um comentário:

Jandira disse...

Depois de ler esse depoimento(reflexão)lindo, estou aqui sem palavras, mas pedindo a Deus que possamos continuar por muito tempo juntos a você, pessoa linda dentro e fora e que Ele te abençoe imensamente! Bjs